
O diretor-presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza S/A (Etufor), José Ademar Gondim Vasconcelos, revelou ontem que às 15 horas da tarde da quinta-feira uma comissão da Etufor estava reunida com representantes do Sidiônibus para a negociação de uma frota mínima de ônibus no caso de uma greve na sexta-feira. “Nós solicitamos que fosse 80% da frota no horário de pico e 60% no entre pico”, disse. Segundo ele, se for considerada ilegal, a greve não poderá ocorrer e o sindicato arcará com todo o ônus de uma paralisação. Ademar destacou que o evento de segunda-feira foi uma surpresa e que “essa greve não tem nada a ver com reajuste de tarifa”.
Ele garantiu que “há nesse momento uma negociação de tarifa”. A prefeitura de Fortaleza estaria estudando uma proposta do sindicato de R$ 1,90, mas “não tem nenhuma data pra dar resposta”, afirmou. Ele disse que o que está em discussão é o equilíbrio dos gastos com a arrecadação. “Se todo mundo pagasse, a tarifa dava pra ser um real”, acrescentou. A alternativa para que não haja aumento seria o corte de despesas. Ademar afirmou que a prefeita prevê a manutenção da taxa mais baixa nos domingos, mas não sabe o valor. Ele garantiu que o transporte público não teve prejuízos com o congelamento da passagem, pois houve na gestão da prefeita uma renovação da frota em cerca de 870 ônibus.
O presidente da Etufor revelou ainda que a base física da integração entre transporte alternativo e ônibus já está pronta, pois ambos estão equipados com validadores. Porém, Ademar disse que as vans são alternativas ao transporte comum e não concorrentes, logo, muitas delas não querem sair dos corredores atuais. Gondim assegurou que “enquanto não formatar isso, não vai haver integração”. Ele destacou ainda que a Etufor monitora vans e ônibus para um bom atendimento aos usuários e que são multadas empresas que apresentam irregularidades.
Gondim assegurou que vários órgãos da prefeitura estarão mobilizados para minimizar os impactos da redução da linha ferroviária no terminal da Parangaba. Ele disse estar sendo construída uma passarela terrestre sinalizada para que as pessoas cruzem a via na frente da catraca, além da implantação de outra roleta para o vale transporte e da renovação da frota. Gondim prevê também a ampliação dos terminais do Antônio Bezerra, do Papicu e do Siqueira e a construção de um novo terminal da Parangaba, além de uma estação de transferência na Barra do Ceará.
Ademar disse que os passageiros de Fortaleza não subsidiarão passageiros de outros municípios. O que se discute é o a diminuição da passagem de trem, afirmou. Para ele, o aumento do número de passageiros no terminal não é considerável. O problema é que eles chegam na mesma hora, explicou. Ele prevê um dispositivo de acesso ao terminal que seja seguro para o usuário e apontou o ônibus metropolitano e a descida em estações anteriores como alternativas à superlotação do terminal.
Sobre a segurança dos ônibus em dias de jogos no estádio Castelão, Ademar disse haver uma pressão dos donos de times de futebol para colocar os chamados ônibus especiais, porém afirmou que “não há mais negociação”. Para o presidente da Etufor esses ônibus não têm condições de serem disponibilizados uma vez que só no último domingo em que os times Ceará e Fortaleza competiram foram quebrados 37 ônibus. Ele revelou que hoje são disponibilizados veículos extras nos arredores do Castelão quando há jogos, mas que cabe ao motorista decidir se vai até o estádio tendo em vista a segurança dos passageiros.
Sobre o trânsito da cidade, ele disse que os fortalezenses são mal-educados, sendo as multas a única medida contra isso. Segundo ele, elas são poucas se comparadas ao número de infrações.
Ele afirmou que o governo do país incentiva o crescimento do numero de carros e que “o rodízio não teria nenhuma eficácia”. A alternativa seria o remanejamento de horários e locais para os veículos. Ademar acrescentou que o pedágio é também uma proposta a ser pensada.
O presidente da Etufor não se posicionou quanto à idéia de privatizar o transporte público de Fortaleza. Disse ser decisão da prefeitura, mas considerou que essa medida traria risco de os recursos serem utilizados para outros fins. Ele revelou ser usuário do transporte público da cidade e negou o argumento de que as elites não o utilizam por não estar em boas condições. Para Ademar, ele “é ótimo”.






