
Na última quarta-feira, dia 24 de março, às 19h30, a empresa Souza Cruz promoveu junto com a Universidade Federal do Ceará uma palestra sobre a crise econômica mundial. O evento ocorreu na Faculdade de Direito da UFC e teve como convidado especial o economista e ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola. Além dele, contou-se com a presença da professora assistente do departamento de contabilidade, Denise Correia, além do representante da INOVA, empresa júnior da FEAAC, Jason Pênia Júnior.
Atualmente Loyola possui uma empresa de consultoria em São Paulo onde analisa empresas e faz previsões para o mercado nacional e internacional. Segundo o economista, “a economia hoje não é marola coisa nenhuma!”. Não víamos uma crise mundial como essa desde a Segunda Guerra Mundial, com um recuo da produção e queda de 6% do comércio internacional e 0,5% de retração da atividade econômica.
Apesar de a economia brasileira não estar livre das conseqüências da crise, para Loyola, o Brasil vai sair muito bem dela. Ele afirma ainda que países emergentes como China, Brasil e Índia solidificarão a crise mundial. “Eles que vão salvar o mundo”, declarou.
Sobre a crise nos EUA, ele disse ter sido causada pela imprudência do mercado, já que a liquidez e altos investimentos mundiais incentivaram transações perigosas e pouco estudadas. O financiamento de imóveis foi facilitado, porém, com elevação dos preços, as dívidas deixaram de ser quitadas, gerando um caos econômico. Mas o economista faz boas previsões para os americanos, uma vez que, a partir de 2010, haveria já um crescimento de 1% na economia do país.
Para o especialista, a situação mais difícil é a da Europa e do Japão, onde o desemprego já prejudica milhares de cidadãos. Já a China não será afetada pela crise nas mesmas proporções, pois tem no mercado doméstico, e não nas exportações, a maior parte de seu PIB.
No caso do Brasil, Loyola disse que o país não deixou de crescer, apenas diminuiu esse processo. O PIB diminuiu em 3,6% no quarto trimestre de 2008. Em 2009, cresceu 0,3%. O real foi desvalorizado, mas ao contrário, a inflação tem diminuído. O especialista revelou que o Banco Central cortou juros e prevê um crescimento do país de 3% a 3,5% em 2010. Ele afirmou ainda que a indústria é o setor mais afetado (queda de 5% este ano) e que o comércio é o que menos sofre com a crise, pois continuou crescendo (3%).
“A renda do brasileiro não vai cair este ano”, declarou o economista. Isso se deverá aos benefícios concedidos pelo governo como o bolsa-família e o bolsa-escola. A Região Nordeste sofrerá menos e o comércio de menor valor irá se sustentar mais, pois com a crise mundial, as pessoas compraram apenas produtos de maior necessidade. Loyola disse ainda que o saldo comercial brasileiro ainda é favorável e que o Brasil se sai relativamente bem da crise, apesar do crescimento do desemprego. Segundo ele “o país não tem recessão”, mas diminui crescimento e isso de deve as últimas políticas econômicas consideradas responsáveis.
Sobre os EUA ele disse que ainda será demorada a recuperação do mercado. Os americanos desestruturaram a economia mundial que só deve começar a melhorar em 2011. O desemprego assola países em toda a Europa, Ásia e América. Mais bancos internacionais fecham a cada dia. Iremos enfrentar ainda muitas dificuldades, pois ainda não chegou o “fim do poço”.